Sunday, May 04, 2008

Dia da mãe

De ontem para hoje sonhei com a minha mãe. Mais precisamente com o funeral da minha mãe. Estávamos num lago, numa paisagem misto Canadá e Alasca, no inverno, mas o lago não estava gelado, porque nisto dos sonhos nada obedece às leis naturais.

Estava tudo branco e frio, mas estava sol. E toda a gente se esforçava por tentar colocar estrelas bem no centro do lago, sem se molhar muito. E cada vez que alguém se esforçava muito por conseguir levar mais longe a sua estrela eu chorava ainda mais copiosamente.

O funeral da minha mãe foi muito triste. Foi muito triste porque eu fiquei sem mãe, o meu pai sem mulher, o meu avô sem filha, o meu tio sem irmã, a minha prima sem tia e muita gente ficou sem uma amiga.

Foi num dia quente e com muito sol, não nevava nem nada, foi muita gente, e eu senti que a minha mãe era mesmo especial porque estava toda a gente com o mesmo ar que eu, de órfã.

O meu sonho de ontem expressa isso, o quanto a minha mãe era amada e como a expressão desse amor foi muito importante para mim naquele domingo. Tanto que ainda hoje sonho com os amigos da minha mãe quase a afogarem-se para lhe entregarem estrelas.

Não percebo porquê estrelas, e confesso que até acho tudo muito, muito piroso e estou zangada com o meu inconsciente por ser tão Kitsch, e principalmente por continuar a atormentar-me durante a noite.

Custa muito chorar em sonhos a noite inteira. Custa muito viver sem mamãe.

O sonho não foi causado por algum ressentimento com o dia da mãe, porque não é o primeiro sonho e aposto que não será o último, mas são sempre dolorosos. Quanto mais não seja ao acordar. Também nunca se festejou essas coisas cá em casa. Foi mero acaso. Mas curioso.

Estou amuada porque é chato, muito chato ser-se crescido, principalmente meio coxo, meio órfão.


PS:
E no fim, no fim, lá pelo resto do mundo muitos meninos nascem para morrer ou para ver os pais morrerem. E se em vez do dia da mãe do pai e dos avós e das prendas que se compram não se faz qualquer coisa de útil? Como desligar um interruptor ou ajudar alguém que precise? (tinha que ser, eu tenho dores de cabeça, mas há dores de cabeça muito, muito piores que as minhas!)

4 comments:

Alguém said...

O inconsciente tem sempre razão, e nunca é kitsch. E o nosso coração nunca é fatela quando sofre por quem ama. Feliz não é quem esquece, mas quem se lembra, porque viveu coisas que merecem a lembrança.
E há pessoas que vale a pena acarinhar e mimar, não um dia por ano, mas sempre que se quizer. E isto não é um amuo, é mais uma lágrima ao canto do olho.

Anonymous said...

E digo-te mais é "chato". Mesmo muito chato. Ser-se assim, como disseste, meio coxo, meio orfão!!!
Também eu estou amuada, revoltada e triste com a vida. Não devia ter(-nos) feito uma maldade destas.
Tens toda a razão quando dizes que temos de saber distanciar-nos dos nossos problemas e ter a consciência que existem pessoas com problemas bem piores. Contudo, são os nossos problemas e por isso temos de os saber encarar e resolver da melhor forma!
Vida só temos uma. A nossa e ninguém a vive por nós... ;)
Uma grande beijoca

Anonymous said...

Ah! Esqueci-me de dizer o fundamental...ainda me hão-de explicar que raio é que eu faço com todas as recordações...
É que gaita...não é fácil viver com elas!!!
Mas verdade seja dita, não as trocava por nada...

Beijocas

P. S. Gostei de ver o blog outra vez em movimento :)

Gonçalo Tavares de Almeida said...

Já há muito tempo que cá não vinha e não esperava ver o blog em movimento, mas tinha uma esperança... Tenho saudades tuas miuda... Quando é que me deixas pagar-te um almoço? Quanto ao tema, compreendo-te perfeitamente. Sei o que sentes (literalmente), é duro perder uma pessoa tão próxima, tão importante para nós, que era parte de nós, que nos colocou no mundo, que nos gerou.
Também já tive sonhos desses (há muito tempo que não os tenho), já acordei lavado em lágrimas pensando que ela estava viva, mas não. É assim a vida e não há nada a fazer, uns vão outros ficam e os que ficam também irão um dia. O que interessa é aproveitar o melhor possível enquanto cá andamos.