Tuesday, December 30, 2008

Devido ao meu mau feitio, ou em ignorantês: derivado ao meu mau feitio

Reportagem televisiva na SIC Notícias sobre acidente no IP4. Ouve-se “…piso molhado, derivado à chuva.”. Foi a repórter, em voz off, (narrando), que o disse.
Ora bolas!!!!!!
Ando eu a tentar que os meus putos aprendam a falar como deve de ser e anda este pessoal na Têbê a assassinar o Português. DERIVADO À?????????????????????????
Quem a contratou não percebe que os órgãos de comunicação TÊM RESPONSABILIDADES?
Eu sei que este é o país onde a responsabilidade morreu solteira e há muitos anos. Mas como sou um ser esquisito e fora da norma, não posso deixar de ficar escandalizada.
Se a jovem repórter estivesse em directo, no local do acidente, com as câmaras ligadas directamente ao estúdio, eu desculpava. Desculpava porque, nessas situações, é fácil alguém enganar-se, a pressão e ansiedade pesam. Agora isto foi dito em estúdio. As imagens foram captadas e depois, construindo, montando a reportagem, a senhora repórter diz uma destas. Todos erramos, eu mesma, eu própria dou por mim a dizer “hépátite”. MAS EU NÃO FALO na televisão, nem sou médica. A senhora repórter, como repórter, devia ter um domínio perfeito da Língua Portuguesa.
Bem, isto é a minha opinião. Mas em abono da verdade os “jornalistas” de hoje em dia já não são “Jornalistas”. E de certa forma a culpa também não é toda deles. É de quem geriu o sistema político e social da Nação durante anos, e também de quem aceita que nos meios de comunicação social a mediocridade seja a ordem do dia porque o lucro enterrou o Brio Profissional e Espírito de Missão.
Um grande bem-haja para todos vós, q’eu vou ver a Lucy ou a novela. Derivado à hora tenho que ir! AH AH AH.

Thursday, December 25, 2008

Combater é preciso

Gostava de ser crescida.
Bem, na verdade na verdade, gostava de ser mais nova, mas como o tempo não volta para trás, gostava de poder ter a idade que tenho.
E porque não tenho?
Porque não posso!
Já sou adulta e responsável, responsável no emprego. Não falto, sou pontual, briosa e perfeccionista. Mas esta é quase a única participação que tenho no mundo dos adultos.
Este regime neo-liberal condena-nos a adultos crianças. A instabilidade no emprego, a crise irreal que toca o real, os códigos de trabalho que favorecem o patronato, condenam-nos a viver em casa dos pais. (quando os temos e eles deixam).
Porque não peço um empréstimo? Primeiro: não mo dariam. Segundo: não sei se conseguiria pagá-lo, visto não ter estabilidade financeira.
Arrendar também não é solução, pois nunca sei o que vou ganhar no ano a seguir, por isso não me posso comprometer.
E o relógio Biológico? Sim, o sistema político-económico pode condenar-me a viver com “papai” como se fosse ainda adolescente, mas não consegue fazer parar o meu relógio biológico. (Que ainda não berra mas já mexe).
Neste momento duvido que algum banco me dê crédito, mas mesmo que desse, era solução? Este ano quase que fiquei a receber 260€ de salário… (escapei-me por pouco). (E trabalho ininterruptamente há quase 5 anos).
Quero que fique claro que tenho emprego, dois às vezes três. Não recebo subsídio de desemprego desde 2004, (já recebi. Durante seis meses e consegui sair por meu mérito). Tenho sempre ido à luta, tenho-me sempre candidatado a tudo o que posso. Ah, e tenho continuado a estudar, acompanhando as “tendências do mercado”, dediquei-me às novas tecnologias. Tenho uma licenciatura e duas pós-graduações. Tenho boas notas. Sempre fui aplicada e trabalhadora. Dediquei-me aos estudos, dediquei-me à minha profissão. Mas o que interessa é o lucro, o que interessa é proteger os interesses do poder económico, proteger bancos, mas só se forem bancos dos ricos. O que interessa é gerar riqueza, mas só para alguns.
Meus amigos: o que interessa não é a qualidade de vida de um grupo económico ou de uma elite. O que interessa é a qualidade de vida de todos, de todos.
Amuo porque cada dia que passa percebo que afinal o capitalismo vive mesmo em crises cíclicas. E um sistema que vive em crises cíclicas e que só beneficia alguns não me parece um bom sistema…
E se alguém me mandar trabalhar, só digo o seguinte, viva a minha vida por um dia. Experimente!
As crianças também sabem raciocinar. Nós, adultos infantilizados pelos sistema, temos a obrigação de denunciar este sistema que nos desproteges e retira autonomia, direitos adquiridos pelos nossos país e resposta, (um trabalhador com medo, com dívidas é um trabalhado calado e não-combativo). Devemos reflectir, usar todas as armas. Como por exemplo: votar com consciência! Votai em quem está do lado de quem trabalha. Votar no partido dos patrões quando não se é patrão não faz muito sentido……..
Posso continuar em casa de papai, mas refilo! Não baixo os braços – denuncio… e trabalho.
Eu gosto de viver com papai. Só espero que papai continue a gostar de viver com a sua jovem filha já nos trinta………

Sunday, September 07, 2008

Mas, mas, não estamos na primavera....

Alguém me pode dizer alguma coisa bonita sobre o pólen e o pó?É que os meus olhos e o meu nariz já não aguentam mais………..

Tuesday, May 27, 2008

Metafísica de Ponta

Não podia deixar que este mês acabasse sem responder, moi même, a essas dúvidas essenciais que todos os dias os media (ou aquilo em que eles se tornaram) nos propõem:
*"Onde é que você estava no dia 25 de Abril de 1974?"
Dentro da barriga da minha mãe, com toda a tranquilidade. Devia ter à volta de 4 meses (16 a 20 semanas), o que faz de mim, penso, já um feto, e não um embrião. No entanto, para baralhar os apologistas pro-life and pro-choice, não me lembro do ambiente, das calças à boca de sino ou mesmo da Grândola Vila Morena (in útero, isto é). Ou seja, biopsicofisiologicamente, não posso afirmar se já possuia critérios para ser "viva" ou não, perante os puristas da causa.
*"Onde é que você estava no Maio de 1968?"
Ora esta ainda é pior. Onde está quem ainda não nasceu, quem ainda não foi concebido? Será que está, ou não está? Será que é, ou não é? Ser ou não ser... Estaria noutra encarnação? Também não posso responder. A cosmogonia suplanta-me. Basicamente, até agora, não estive em lado nenhum histórico, ou de interesse.
*"Onde é que você estava em Maio de 1998, quando foi inaugurada a Expo 98?"
Finalmente! Concretamente, acho que chovia quando a Expo abriu, mas também andei por lá, e tinha um autocolante dos golfinhos no carro, e tenho um Passaporte ultra-carimbado, e vi os Pavilhões temáticos todos, e sofri nas bichas, e vi os bebés do anúncio, coitadinhos, dentro de água, e dei um salto negativo, e visitei a Sagres e a D.Fernando e Glória. E andei enamorada por Portugal. Pedrada com a pedalada de Portugal. Podia andar-se pelas ruas de Lisboa limpa e sem buracos até às tantas, e ver polícias e turistas a serem simpáticos. Embriagada com um feel good que não senti mais desde aí.
Parece que foi uma espécie de mergulho no futuro.
Analyze this.

Tuesday, May 06, 2008

razões para amuar (1)

É um bocado como entrar pela floresta adentro para tentar isolar uma folha, mas há que ser criativo. Escolher alvos, arranjar dardos, fazer uma sessão mental de paintball, sonhar com vírus informáticos ( e outros pequenos crimes entre amigos). Vamos declarar pequenas fatwa às coisas irritantes que nos fazem amuar.
(Amanhã este blog estará na listas dos 10 mais procurados do FBI por causa da palavra islâmica.)
Amuo nº1: O anúncio da Galp para a nossa selecção
Quem foi o maravilhoso publicitário com uma mente pouco subliminar que decidiu por uma data de gente a empurrar o autocarro da selecção? Tá doido?
Obviamente que enquanto a petrolífera se rega em maravilhosos $$$, não só à conta do que chupa do nosso tutano de consumidores, mas também dalguns snifes ganhadores para as bandas do Brasil e Angola, desleixou um claro erro de marketing.
Nós, os contribuintes que já não temos guito para o petróleo nem qualquer dia para o trigo, a servir literalmente de biocombustível para uma selecção de prodígios que não pagam IRS, quando se estampam em Lisboa é sempre em carros de alta cilindrada, que vão passar férias ao Dubai? Nós, a empurrar aquilo? Senhores!
Ok, a gasolina que eu meto no carro geralmente até é da Galp, embora nunca tenha sentido nenhuma energia positiva. E não é por causa do anúncio que eu, miseravelmente, vou iniciar uma campanha de embargo, protesto e retaliação. Basicamente, não vou fazer nada. Mas cada vez que passar o anúncio vou amuar, e implicar umas duas ou três vezes. E sabe tão bem.
O que faz falta é amuar a malta, o que faz falta...

Sunday, May 04, 2008

Dia da mãe

De ontem para hoje sonhei com a minha mãe. Mais precisamente com o funeral da minha mãe. Estávamos num lago, numa paisagem misto Canadá e Alasca, no inverno, mas o lago não estava gelado, porque nisto dos sonhos nada obedece às leis naturais.

Estava tudo branco e frio, mas estava sol. E toda a gente se esforçava por tentar colocar estrelas bem no centro do lago, sem se molhar muito. E cada vez que alguém se esforçava muito por conseguir levar mais longe a sua estrela eu chorava ainda mais copiosamente.

O funeral da minha mãe foi muito triste. Foi muito triste porque eu fiquei sem mãe, o meu pai sem mulher, o meu avô sem filha, o meu tio sem irmã, a minha prima sem tia e muita gente ficou sem uma amiga.

Foi num dia quente e com muito sol, não nevava nem nada, foi muita gente, e eu senti que a minha mãe era mesmo especial porque estava toda a gente com o mesmo ar que eu, de órfã.

O meu sonho de ontem expressa isso, o quanto a minha mãe era amada e como a expressão desse amor foi muito importante para mim naquele domingo. Tanto que ainda hoje sonho com os amigos da minha mãe quase a afogarem-se para lhe entregarem estrelas.

Não percebo porquê estrelas, e confesso que até acho tudo muito, muito piroso e estou zangada com o meu inconsciente por ser tão Kitsch, e principalmente por continuar a atormentar-me durante a noite.

Custa muito chorar em sonhos a noite inteira. Custa muito viver sem mamãe.

O sonho não foi causado por algum ressentimento com o dia da mãe, porque não é o primeiro sonho e aposto que não será o último, mas são sempre dolorosos. Quanto mais não seja ao acordar. Também nunca se festejou essas coisas cá em casa. Foi mero acaso. Mas curioso.

Estou amuada porque é chato, muito chato ser-se crescido, principalmente meio coxo, meio órfão.


PS:
E no fim, no fim, lá pelo resto do mundo muitos meninos nascem para morrer ou para ver os pais morrerem. E se em vez do dia da mãe do pai e dos avós e das prendas que se compram não se faz qualquer coisa de útil? Como desligar um interruptor ou ajudar alguém que precise? (tinha que ser, eu tenho dores de cabeça, mas há dores de cabeça muito, muito piores que as minhas!)