Já discutimos noutro blog.
Nessa discussão senti-me muito ofendida porque achei que falava sem conhecer bem as alterações ao Estatuto da Carreira Docente.
Para lhe mostrar porque me toca tanto esta questão vou dar-lhe o exemplo de algumas das coisas que me deixam mais zangada:
Os professores vão ser avaliados, está bem!
O problema é que as notas vão ter cotas, do género, numa escola só 10% dos professores podem ter excelente, (ainda não se sabe bem a percentagem).
Ora isto significa que muitos colegas que são competentes e muito, muito bons profissionais, (e há muitos! Há, há! : ) ) poderão ficar de fora do excelente, porque não chega para todos!
Ou seja, vamos ser avaliados, mas podemos receber uma nota que não revela ou descreve exactamente o nosso trabalho, posso ter apenas Muito bom, porque já foram dados os Excelentes todos que se podiam dar….
Isto também levanta outro problema, imagine que numa escola todos os professores efectivos se dão bem… e todos merecem excelente, até o contratado, mas a cota dos excelentes não chega para todos…
Ou seja, o que quero dizer é que esta avaliação não será objectiva e levanta a possibilidade de se fortalecerem compadrios e rivalidades entre professores, etc.
Para mim esta questão é grave, mas há outra ainda mais grave, a questão das faltas.
Qualquer trabalhador português, se fica gravemente doente, ou lhe falece um familiar ou fica “grávido” tem direito a faltar, com faltas mais que justificadas e tal facto não perturba a sua progressão na carreira.
Pois, com o novo Estatuto da Carreira Docente, se dermos mais que 15 faltas, (o que, por norma só acontece aquando de uma situação muito, muito grave), a nossa avaliação é negativa e ficamos impedidos de progredir.
Isto até parece bem, quem falta não deve ser premiado, mas, mas, o grande problema é que o Ministério não está a dizer que quem falte mais de 15 dia e não tenha justificação… O ministério está a dizer que quem falte, mesmo com justificação fica prejudicado…
Infelizmente já me faleceram familiares muito próximos e sei que durante os primeiros dias não conseguimos ser produtivos, e os dias a que temos direito por lei são uma grande ajuda, não só para preparar os Funerais e outras burocracias, mas principalmente para podermos chorar à vontade.
Por outro lado, as grávidas ficarão prejudicadas, pois no ano em que tiverem os filhos não poderão progredir e as suas ausências, (legais e justificadas), servirão para a afastar da progressão.
O mesmo se passa com qualquer professor que tenha uma doença mais grave.
Se por acaso tivermos o azar de ficar “grávidos”, doentes ou que alguém faleça no ano probatório, (no 1º ano de efectivação), o nosso ano probatório torna-se em dois anos probatórios, com penalizações.
Ou seja, o Ministério quer super-homens e super-mulheres.
Estes são apenas dois exemplos da gravidade da situação.
Espero que entenda este post como um esclarecimento amigável.
O que a Ministra quer, é que os Portugueses generalizem, isto é, que pensem que os professores são todos uns malandros que não querem trabalhar.
Não é verdade! Felizmente! : )
Da experiência que tenho, são mais, muito, muito mais os bons professores, os que não faltam, que cumprem os seus horários e os seus deveres, que cumprem devoções, que fazem mais, muito mais do que são obrigados, dos que faltam que nem uns doidos, são irresponsáveis, etc. (Também os há, mas normalmente nós também não gostamos nada deles.)
O que se passa é que por causa de uma minoria estamos todos a ser atacados.
A nossa profissão tem algumas especificidades, não é melhor nem pior que as outras, mas tem de facto algumas especificidades. Para podermos ser bons temos que trabalhar mais que 35horas semanais. Temos um desgaste mais rápido, etc. etc. (já para não falar destas modernices de bater no professor ou chamar-lhe nomes, etc.!)
O que é certo é que quem gosta de ser professor não desiste.
O grande problema é que este estatuto quer retirar-nos direitos que são fundamentais, e que todos os portugueses têm.
Espero não ter sido muito chata, se bem que o post está muito comprido…
Grata pela sua atenção!
Qualquer esclarecimento que desejar diga!
ps. Quanto ao seu comentário sobre "o ano de férias" vou partir do princípio que está já afectado pelas influências da ministra. ;)
Não acredito que ache, verdadeiramente, que os professores passam férias o ano todo!
Teria que ser um tonto ou uma pessoa pouco esclarecida, o que obviamente não é o seu caso !
Mais uma vez grata pela atenção
2 comments:
Antes de mais desculpe a minha falta de assiduidade. Se soubesse que tinha um post só dedicado a mim, há muito tempo que por aqui teria passado. Que lisonjeado me sinto! Creio que agora estou (muito) mais esclarecido, embora a maior parte das minhas questões n foram directamente respondidas. Enfim! Gostei do gesto. Não mudou nada o que pensava, mas gostei. Já agora, não creio que o novo Estatuto da Carreira Docente seja assim tão coxo. Mais de 50% dos portugueses votou para este governo, e não creio que o nosso povo seja assim tão imbecil, cego e ignorante que tenha eleito uma pessoa que faça os disparates que descreve.
Boas escrituras e até um dia destes num blog próximo de si.
Cumprimentos
Pois é! Mas faz!
Se quiser ver com os seus próprios olhos o estatuto consulte os sites ou do SPGL ou do SPN ou afins, e verá que não estou a inventar!
Post a Comment